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Sobre Will & Will: um nome, um destino

Costumo dizer que o mundo dos livros pode te causar sensações jamais imaginadas. Como um leitor viciado, sempre que um autor me agrada muito tento ler o máximo possível do que ele escreveu e claro que não seria diferente com John Green. Desde que li A Culpa é das Estrelas (se você ainda não leu, por favor, leia) as minhas expectativas em relação aos textos do autor cresceram imensuravelmente. Esse negócio de colocar expectativa em algo é bem complicado, pois é aquela velha coisa: você gosta muito de um livro, ai fica louco pra outro e no final a leitura não foi tão boa quanto a primeira. Isso é comum, por isso fiquei com muito medo quando fui ler Will Grayson, Will Grayson (título original do livro). Li e ouvi tantas coisas positivas sobre a obra que precisei ler. E quer saber? Fiquei extremamente surpreso com essa linda história.

Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas quando virei a última página só conseguia pensar em uma coisa: eu preciso de mais. Aquela velha sensação de que você poderia continuar convivendo com os personagens por mais 300 páginas sem nem piscar. É claro que todo esse mérito não é apenas de John Green, afinal esse livro foi escrito com a participação de David Levithan. Essa junção foi muito boa e contribuiu para uma das histórias mais legais que li esse ano. 

Nesse momento você deve estar querendo me matar, pois só fiz elogios e não contei nada sobre o enrendo, não é? Pois bem, vamos lá. Essa história é sobre dois Will Grayson: o primeiro (escrito por John Green) é um Will nerd , filho de pais ausentes, gosta de boas músicas, tem um humor bem ácido e é o melhor amigo de Tiny Cooper, o mais extravagante gay de sua escola, que vive a vida sob duas regras: não se importar e calar a boca. Simples. O segundo Will Grayson (escrito por David Levithan) é gay, vive apenas com sua mãe, está quase sempre deprimido e  tem poucos amigos, com exceção de Maura. Atualmente, ele tem um relacionamento virtual com Isaac, um carinha que mexe com o seu coração de um jeito muito peculiar.

É claro que em um ponto da história (e eu não vou contar como e por que isso acontece), numa noite fria em uma esquina de Chicago, os dois Will vão se encontrar (de um jeito bem inusitado diga-se de passagem) e desse encontro irá sair uma das melhores histórias que tive a oportunidade de acompanhar. 

Capa brasileira.
Terminei o livro com lágrimas nos olhos, não por ele ser triste - longe disso -, mas sim por toda a simplicidade e pelos personagens que estão presentes nas entrelinhas. Os assuntos abordados pelos autores são muito bem explorados, como por exemplo os problemas encontrados pelo público LGBT. Fora outros como os relacionamentos virtuais, pais ausentes, aceitação, etc. É um livro muito hilário e comovente, além de ser muito original. Ele quebrou meu coração em vários momentos e, em seguida, colocava-o no lugar com um enredo de tirar o fôlego. E isso aconteceu repetidas vezes. 

Não posso terminar de escrever isso sem falar na narrativa de David Levithan. Esse cara é genial e eu preciso muito ler os livros dele. Sério. Me diverti muito com o Will que ele construiu e confesso que fiquei em êxtase com os rumos que ele proporcionou para a história. 

Como li a versão norte americana, vi que a química entre os autores funcionou muito bem. Aqui no Brasil, a editora Galera Record ficou com os direitos autorais e já publicou o livro. Ele recebeu o título de Will & Will: um nome, um destino (o que só me lembra aqueles filmes de sessão da tarde) e está em fase de lançamento por aqui. Não sei como ficou a estrutura da narrativa, mas eu espero que tenham mantido a original. Sobre a capa brasileira só tenho uma coisa pra dizer: poderia ter ficado muito melhor. 

Nota: I appreciate you, Tiny Cooper. 
 
Layout desenvolvido e editado por Igor Gouveia