Eu tentei começar essa resenha de várias maneiras e não consegui. É aquela velha historinha: "existem livros que mexem com o leitor", e quer saber? Memórias Fictícias não só mexeu comigo, ele me deixou perturbado. Devo confessar que tive que ler o livro duas vezes (seguidas), pois a história me deixou tão "encucado" que a releitura fora praticamente obrigatória.
Um livro pequeno, mas totalmente diferente que tudo que li. Com uma narrativa poética, que em muitas vezes tenta romper a linha tênue da realidade, a obra deixa qualquer leitor intrigado com a sua história surreal. Carina Corá trabalhou perfeitamente em uma narrativa que poderia muito bem ter dado errado em vários momentos. Porém, a união de devaneios com toques reais levaram a construção de história extremamente inteligente e original.
Na trama, Carolina de Lilá é uma garota que já não acredita mais na vida e em toda sua plenitude. No entanto, é uma jovem que ainda possui resquícios de sonhos e desejos em sua mente conturbada. Após a morte do pai, Carol e sua mãe, Tarsila, vão morar em um antigo casarão que pertence a uma freira, aparentemente, bem estranha.
Estranha e cheia de mistérios, a casa desperta em Carolina um misto de sentimentos jamais vistos. Assim que entra em sua nova moradia, a garota se encanta com uma torre. Acontece que visitar essa construção está fora de cogitação, uma vez que, Bianca, a freira, proibira a entrada de qualquer pessoa no local.
Mas será mesmo que Carolina não vai entrar no lugar? Será que sonhar diariamente com a torre não a faria cometer loucuras? E, por fim, será mesmo que mexer nos segredos dos outros é algo bom? Pois é, só lendo o livro pra saber, meus caros.
Como disse anteriormente, tive que ler o livro duas vezes. Achei a história tão profunda que em muitos momentos me perdi na leitura - por estar pensado na própria, acreditam? -. E após finalizá-la, percebi o quão legal foi ter pego esse livro em uma manhã chuvosa.
A história, mesmo tendo alguns pontos soltos, conta com personagens contraditórios e bem complexos. Acredito que a autora fechou a narrativa, que é escrita em estrutura de diários, no momento certo. Memórias Fictícias não é aquele tipo de livro que merece mais trezentas páginas, pois as poucas que o constituem dão conta do recado.
Aproveito o espaço para agradecer a autora pelo envio do livro e pela oportunidade dada ao blog. Afinal, ter lido essa história foi algo perturbador e ao mesmo tempo muito gratificante. Aos meus leitores só digo uma coisa: guardem o nome dessa jovem escritora, pois sem dúvida é um talento nato da literatura nacional.
Nota: Obviamente, o livro entrou para os prediletos.




